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O melhor é o mais barato

Com projeto mais moderno, o novo Gol 1.6 vence os irmãos de mesma cilindrada. Gasta menos e oferece mais desempenho

Por: TEXTO Douglas Mendonça FOTOS Roberto Assunção Ago/2008

VW POLO 1.6 R$ 43.310

VW GOL 1.6 R$ 32.290

VW FOX 1.6 R$ 38.120

O lançamento do novo Gol trouxe um sério problema à VW. Hoje o carro mais barato de sua linha de hatches pequenos é o melhor da família, composta ainda por Polo e Fox. Isso mesmo, o novo Gol é a melhor escolha entre os três modelos do mesmo porte que o consumidor pode adquirir em uma revenda autorizada Volkswagen.

Claro que quando a marca oferece produtos tão semelhantes é porque seu departamento de marketing tem um público-alvo para cada um deles. Mas, na hora H, o consumidor poderá ficar em dúvida sobre qual modelo atenderá melhor as suas necessidades. Algumas vezes, não é simplesmente o melhor carro que nos serve. Temos algumas necessidades específicas, que cada um dos três atenderá com mais ou menos competência. Por isso, MOTOR SHOW vai ajudar o consumidor nessa difícil e complicada escolha.

No Gol tudo é novo. Seus componentes são os melhores oferecidos pela matriz alemã atualmente

Em novembro de 2003, já tínhamos publicado uma reportagem semelhante. Na ocasião, alertávamos o consumidor de como o antigo Gol estava obsoleto com relação ao Polo e ao Fox. “O rolo compressor da modernidade está cada vez mais perto de atropelar o nosso valente Gol”, dizia nossa matéria. De lá para cá, ele resistiu mais cinco anos na liderança, algumas vezes até ameaçado pelo Palio, mas sempre vencendo.

Um verdadeiro herói dos dias atuais. Um carro que ficou anos a fio sem mudancas contundentes conseguir liderar um mercado tão disputado como o nosso – com mais de 2,4 milhões de carros por ano e que, em 2008, deverá atingir uma marca próxima dos três milhões – é um feito louvável.

Agora a situação é outra. E mais favorável ainda ao modelo. O Gol praticamente renasceu. Do modelo antigo não sobrou nada. Nenhum componente foi reaproveitado. É tudo novo e com o que de mais moderno a matriz alemã oferece mundialmente, incluindo a plataforma (leia boxe). O motor e o câmbio agora são dispostos transversalmente, como em seus irmãos Polo e Fox. Mas a fundamental diferença está na geração da qual provêm seus componentes : suspensões, posicionamento e componentes do sistema de direção, coxinização de motor e câmbio, freios e disposição do tanque de combustível (agora sob o assento do banco traseiro) e suas tubulações pertencem à nova plataforma mundial da marca, a moderna PQ 25. Seus irmãos Polo e Fox ainda são produzidos sobre a antiga plataforma PQ 24, com outras suspensões, sistema de direção, freios, posicionamento do tanque de combustível, e por aí vai. Ou seja, as peças entre as plataformas do Gol e da dupla Polo/Fox não são intercambiáveis. Por isso, eles não compartilham a mesma plataforma, como afirmou outra publicação.

O painel de instrumentos do Gol G4 foi aposentado na quinta geração, mas o contagiros é item opcional. O comando dos vidros dianteiros elétricos agora fica nas portas. O arcondicionado e o som são opcionais

Da base PQ 24, o novo Gol herdou apenas o assoalho e a distância entreeixos: 2.465 mm. Todo o restante é da nova geração PQ 25, que será utilizada pelo novo Polo ainda a ser lançado na Europa, já como modelo 2009. O nosso Polo deverá, em sua próxima geração brasileira, compartilhar dos mesmos componentes da plataforma do novo Gol, mais modernos e eficientes. Claro que o mesmo caminho será seguido pelo Fox, provavelmente a partir de 2009.

Todos esses fatos já colocam o novo Gol, tecnicamente, um passo à frente de seus atuais irmãos. O novo posicionamento da caixa de direção, sua geometria e a nova suspensão dianteira (com buchas e dimensões diferenciadas) melhoraram a estabilidade direcional, reduziram a inclinação da carroceria nas curvas e melhoraram a absorção de impactos, além da sensível evolução do conforto ao rodar e da redução da transmissão de ruídos pelas suspensões.

Com melhor perfil aerodinâmico e menor peso, a performance do Gol é melhor com menor consumo. Já no Fox, segundo em desempenho, o ponto forte é o espaço interno. O Polo, apesar de mais caro e bem acabado, não oferece muito mais que os irmãos

No Fox, o criticado painel com pequeno contagiros. Na porta, comando dos quatro vidros elétricos, opcionais. O porta-luvas é minúsculo e sem tampa – um ponto fraco do Fox

O painel de instrumentos do Polo é bastante parecido com o do Gol, e o porta-luvas tem iluminação. O ar digital, à direita, é opcional, e a porta, abaixo, mais bem acabada

O conjunto motor/câmbio é comum aos três. As melhoras no coletor de admissão, comando de válvulas, pistões, anéis, bielas e coletor de escapamento foram adotados pelos três hatches, produzidos na versão 1.6 de 101/104 cv (avaliadas) e torque máximo de 15,4/15,6 kgfm e na versão 1.0 (apenas para Gol e Fox) com 72/76 cv e torque de 9,7/10,6 kgfm. Como o Gol 1.6 é o mais leve deles (pesando cerca de 950 kg contra 1.018 kg do Fox e 1.105 kg do Polo), seu desempenho é melhor nas acelerações e retomadas.

O Gol tem linhas modernas, com cintura alta e faróis alongados, próximas às do Scirocco, a “nova cara da VW”

Já quando o assunto é velocidade máxima, a aerodinâmica fala mais alto no Gol. E, com o melhor perfil, o Gol vence de novo. Atinge 192 km/h de máxima contra 187 km/h do Fox e 189 km/h do Polo, todos com álcool. E, claro, como peso e aerodinâmica influenciam diretamente no consumo, o mais econômico continua sendo o Gol 1.6. Com álcool, faz 8,8 km/l na cidade e chega aos 12,4 km/l na estrada. Ótimas marcas quando comparadas aos 8,4 km/l do Fox e 8,2 km/l do Polo, ambos na cidade com álcool. Na estrada, a vantagem é mantida já que o Fox faz 11,8 km/l e o Polo, 11,9 km/l. O Gol anda mais e gasta menos que o Fox e o Polo. Vantagens de um projeto mais novo!

O Fox tem maior altura e melhor espaço para a cabeça de passageiros altos. Na foto, a versão Extreme, “tunada” de fábrica

Mas os outros dois modelos têm seus encantos. O Fox tem vantagens dimensionais com relação ao Gol e ao Polo, o que pode interessar a um nicho de consumidores que privilegiam maior altura e a maior capacidade de porta-malas. Enquanto o Gol tem 1,46 m de altura e o Polo 1,5 m, o Fox oferece mais de 1,55 m. Certamente, ele acomoda melhor pessoas de maior estatura e consegue acomodar mais bagagem no portamalas, com seus bons 353 litros (285 litros do Gol e acanhados 250 litros do Polo). Se essas características estão na lista de suas necessidades, talvez o Fox seja uma escolha mais plausível entre os três.

O Polo, apesar da recente reestilização, tem design menos atraente. Na Europa, a próxima geração, com nova plataforma, chega em 2009

O Polo, o mais caro dos três, é posicionado um degrau acima e briga com Punto, Peugeot 207... Tem um acabamento mais refinado e oferece alguns “mimos” de carro mais sofisticado. Tem, praticamente, o mesmo comprimento do Gol (diferença de pouco mais de 1 mm), mesma largura e exatamente o mesmo entreeixos. É um carro diferenciado em termos de status, mas, na realidade, só vale a pena se for oferecido por um preço bem atraente quando comparado aos outros dois. Vamos esperar para ver o que a VW fará com ele na nova versão que deve chegar em 2009. Essa atual não leva vantagem alguma sobre seus irmãos de projeto mais novo.

Fox e Polo terão mudanças em breve e, pela lógica, devem receber a mesma plataforma do novo Gol, de uma geração mais moderna

Por enquanto, fique com o Gol se quer um bom carro a preço honesto ou com o Fox se precisa de mais espaço interno e mais porta-malas.

No Gol Power, bancos com apoio lateral. Abaixo, volante com comandos do som. É bem dificil não esbarrá-los por acidente

Estes bancos são da versão Extreme do Fox. No básico são mais simples. As gavetas (abaixo) são difíceis de acessar

O Polo é o único com a opção de bancos em couro, mas seu custo é alto. O espaço interno não é superior ao dos irmãos

Afinal, o que é a plataforma?

Na indústria automobilística, convencionou-se chamar de plataforma a parte inferior da carroceria, que contém praticamente toda a mecânica (motor), câmbio, posicionamento dos coxins, suspensões dianteira e traseira, sistema de freios, sistema de direção (inclusive a coluna) e os componentes do sistema de alimentação (inclusive posicionamento e capacidade do tanque). A indústria mundial desenvolve “famílias” de plataformas, de acordo com suas dimensões, cada uma adequada aos carros que pretendam fabricar. Partindo da plataforma que determina a posição do conjunto motor/câmbio, posição e capacidade do tanque, bitola dos eixos dianteiros e traseiros, distância entreeixos, posicionamento da caixa de direção e etc é que os designers começam a trabalhar em um novo carro. O interessante de uma plataforma é a padronização dos seus elementos mecânicos, que acabam gerando uma economia em escala e reduz o preço final do carro – e aumenta o lucro da indústria.