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Novembro/2008
     
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Novos brasileiros na Fórmula 1 2009
Há dúvidas quanto ao futuro de Piquet e Barrichello na F1, mas Bruno Senna e Lucas di Grassi são candidatos a entrar na briga

TEXTO Rafael A. Freire

Bruno Senna

No automobilismo, um sobrenome de peso muitas vezes ajuda bastante um piloto a chegar à Fórmula 1. No caso de Bruno Senna não poderia ser diferente, mas ser sobrinho do tricampeão mundial Ayrton Senna nem sempre o favoreceu. Com a trágica morte do tio em uma corrida, a família passou a ser contrária à sua escolha de carreira como piloto de competição. Por conta disso, Bruno ficou dez anos longe das pistas. Apenas em 2004, quando já estava com 20 anos de idade, voltou a acelerar, desta vez em categorias de monopostos - sua altura já não permitia que voltasse para o kart. E ele até que tentou, mas a aventura não foi bem-sucedida, e acabou lhe custando algumas costelas quebradas.

A volta às pistas de corrida esquentou as discussões sobre seu futuro, mas, para a surpresa de muitos, seu desempenho fez, sim, jus ao seu famoso sobrenome. Depois de passar pela Fórmula BMW, foi terceiro colocado no campeonato de Fórmula 3 Européia e vice-campeão da GP2 deste ano. Para 2009, Bruno Senna negocia contrato com várias equipes da F-1. Seu objetivo é conseguir uma vaga de piloto titular. Caso isso não aconteça, pretende correr mais uma temporada na categoria GP2. Especula-se que o time mais provável para sua estréia na mais importante das modalidades do automobilismo mundial seja a Toro Rosso, que tem entre seus sócios Gerhard Berger, amigo muito próximo da família.

MOTOR SHOW: Você se sente totalmente preparado para correr na Fórmula 1?
Bruno Senna:
Acho que sim. Corri os últimos dois anos na Fórmula GP2, cujo carro é o que mais se aproxima do da Fórmula 1. Conheci também a maioria dos circuitos, inclusive aqueles do Oriente Médio. Isso não significa que não seja necessário um período de adaptação, como acontece com qualquer outro piloto estreante. Se conseguir uma vaga de piloto titular, testar e me envolver com o dia-a-dia da equipe, vou acelerar este aprendizado.

MS: Com quais equipes você está negociando? Com qual delas é mais provável assinar?
BS:
Conversei com a maioria delas, com exceção de Ferrari, Red Bull e Renault. Mas não dá para apontar uma mais provável. Há muita coisa que também não depende de mim.

MS: Para entrar na Fórmula 1 é fundamental que se tenha um bom patrocinador?
BS:
Não mais. As equipes são quase todas de fábrica ou pertencem a grupos muito sólidos. As equipes que viviam do aluguel de carros desapareceram.

MS: Quais serão seus objetivos neste primeiro ano de categoria?
BS:
O primeiro deles é arrumar uma vaga em uma equipe... (risos)

MS: Como é estar à beira de compor o grid mais concorrido e sonhado do mundo?
BS:
Claro que estou ansioso. Venho me preparando para correr na Fórmula 1, mas não quero apenas chegar lá. O mais difícil é se manter. Tenho de retribuir a chance que me for oferecida da melhor maneira possível.

MS: O que será mais difícil, dominar um carro de Fórmula 1 ou as pressões políticas e pessoais da categoria?
BS:
Esta é uma pergunta que eu só poderei responder com certeza depois de passar meu primeiro ano completo na Fórmula 1...

MS: As diferenças de performance do carro e do desgaste físico da GP2 para a Fórmula 1 são muito grandes?
BS:
Os carros da Fórmula 1 são de cinco a sete segundos mais rápidos que os da GP2, dependendo do circuito, e o formato dos grandes prêmios também é bem diferente. Nos finais de semana, os carros da F-1 andam muito mais que os da GP2. Na sexta-feira, por exemplo, tínhamos apenas um treininho de 30 minutos e uma sessão classificatória com a mesma duração. Mas a maior diferença está mesmo nas corridas: as da Fórmula 1 têm 300 quilômetros, enquanto a mais longa da GP2, na abertura da rodada dupla no sábado, só chega a 180 km.

Por tudo isso, o desgaste físico na Fórmula 1 é evidentemente maior. Mas estou bem preparado, também no aspecto físico, para essa mudança. Eu tenho trabalhado bastante meu condicionamento para não sofrer quando a oportunidade finalmente aparecer.

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