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Agosto/2008
     
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Edição 305
 
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Raul Boesel
Do cockpit ao comando das pickups
Aos 50 anos de idade, e com uma eclética carreira como piloto, Boesel vira DJ

TEXTO Rafael A. Freire FOTOS Cláudio Larangeira

A carreira profissional de Raul Boesel sempre foi cheia de surpresas. Ele é, sem dúvida, um dos pilotos com o currículo mais eclético do Brasil. Em seus mais de 30 anos de profissão (ele acaba de completar 50 anos de idade) passou por categorias que variam de carros de turismo e monopostos a lanchas, com atuação no campeonato americano Off-Shore.

Não bastasse a flexibilidade de atividades em diferentes categorias e máquinas, fora do mundo dos motores, o piloto também possui atuações bastante inusitadas. Afastado das corridas desde o final de 2006, quando encerrou sua carreira na Stock Car, Boesel está atuando em outras pistas. Desta vez, as de dança. Isso mesmo, ele virou DJ.

"Me esforço para não ouvir comentários do tipo: 'como DJ ele é um excelente piloto'"

Apesar da nova ocupação, o piloto ainda participa de provas mais tradicionais, como as Mil Milhas Brasil, porém, sua profissão mesmo deixou de ser ao volante dos carros e passou a ser no comando das pickups. "Quando saí da Stock, resolvi me dedicar ao máximo à musica. Não me arrependo. Estou muito feliz por ter arranjado uma prática que substitui, à altura, a rotina de piloto que levava", conta Boesel, que ficou sete meses em seu apartamento no bairro do Panamby, na zona sul de São Paulo (SP), tendo aulas de DJ e treinando algumas horas diárias, antes de começar a se apresentar profissionalmente em casas noturnas. Não é a primeira vez que o curitibano muda de foco, e até agora todas essas mudanças têm sido bem-sucedidas. Poucos sabem, mas, antes de qualquer experiência com carros, Boesel fazia bonito nos campeonatos de hipismo. Dos 10 aos 16 anos de idade, esteve bastante envolvido com o esporte, e chegou - acredite! - a ser bicampeão paranaense de hipismo.

Mas as peculiaridades de sua carreira não param por aí. Boesel não começou a se envolver com carros desde pequeno, como a maioria dos pilotos. Foi apenas em meados dos anos 70, época em que abandonou o hipismo, que ele teve seu primeiro contato com as pistas. "Fui a um kartódromo ver um amigo correr. Ele me deixou dar uma volta de kart e foi o bastante para eu perceber que levava jeito para o esporte", conta.

Depois desse episódio, foi aos poucos deixando as selas de lado para se dedicar mais ao kart. Já no segundo ano como piloto de kart (1975), Boesel levou para casa o troféu de campeão curitibano. Dois anos depois, em 1977, já estava estreando no automobilismo, pilotando um Opala, na corrida de inauguração da pista de Jacarepaguá. Daí para a frente, os resultados foram confirmando a possibilidade de aquele jovem rapaz seguir uma promissora carreira de piloto. E, assim, Raul Boesel pôde sonhar mais alto.

Depois de um período competindo no Exterior em diversas categorias, como Formula Indy, IRL e campeonato mundial de protótipos (abaixo), Boesel voltou para o Brasil justamente para a Stock Car, categoria que lhe serviu de escola em 1979. No alto, o Opala da primeira temporada da Stock e, ao seu lado, o modelo de 2001

No fim do campeonato de 1979, ele já se preparava para correr de Fórmula Ford na Inglaterra. "A última corrida do campeonato de 1979, em Interlagos, era a abertura do Grande Prêmio de Fórmula 1.

De dentro do cockpit, vi Bernie Ecclestone (chefe comercial da F1), e cheguei a pensar em um dia correr de Fórmula 1", relembra.

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