| |
Personalidade
Raul Boesel
Do cockpit ao comando das pickups Aos 50 anos de idade, e com uma eclética carreira como piloto, Boesel vira DJ
TEXTO Rafael A. Freire FOTOS Cláudio Larangeira
A carreira profissional de Raul Boesel sempre foi cheia de surpresas. Ele é, sem dúvida, um dos pilotos com o currículo mais eclético do Brasil. Em seus mais de 30 anos de profissão (ele acaba de completar 50 anos de idade) passou por categorias que variam de carros de turismo e monopostos a lanchas, com atuação no campeonato americano Off-Shore.
Não bastasse a flexibilidade de atividades em diferentes categorias e máquinas, fora do mundo dos motores, o piloto também possui atuações bastante inusitadas. Afastado das corridas desde o final de 2006, quando encerrou sua carreira na Stock Car, Boesel está atuando em outras pistas. Desta vez, as de dança. Isso mesmo, ele virou DJ.
 |
"Me esforço para não ouvir comentários do tipo: 'como DJ ele é um excelente piloto'" |
Apesar da nova ocupação, o piloto ainda participa de provas mais tradicionais, como as Mil Milhas Brasil, porém, sua profissão mesmo deixou de ser ao volante dos carros e passou a ser no comando das pickups. "Quando saí da Stock, resolvi me dedicar ao máximo à musica. Não me arrependo. Estou muito feliz por ter arranjado uma prática que substitui, à altura, a rotina de piloto que levava", conta Boesel, que ficou sete meses em seu apartamento no bairro do Panamby, na zona sul de São Paulo (SP), tendo aulas de DJ e treinando algumas horas diárias, antes de começar a se apresentar profissionalmente em casas noturnas. Não é a primeira vez que o curitibano muda de foco, e até agora todas essas mudanças têm sido bem-sucedidas. Poucos sabem, mas, antes de qualquer experiência com carros, Boesel fazia bonito nos campeonatos de hipismo. Dos 10 aos 16 anos de idade, esteve bastante envolvido com o esporte, e chegou - acredite! - a ser bicampeão paranaense de hipismo.
Mas as peculiaridades de sua carreira não param por aí. Boesel não começou a se envolver com carros desde pequeno, como a maioria dos pilotos. Foi apenas em meados dos anos 70, época em que abandonou o hipismo, que ele teve seu primeiro contato com as pistas. "Fui a um kartódromo ver um amigo correr. Ele me deixou dar uma volta de kart e foi o bastante para eu perceber que levava jeito para o esporte", conta.
Depois desse episódio, foi aos poucos deixando as selas de lado para se dedicar mais ao kart. Já no segundo ano como piloto de kart (1975), Boesel levou para casa o troféu de campeão curitibano. Dois anos depois, em 1977, já estava estreando no automobilismo, pilotando um Opala, na corrida de inauguração da pista de Jacarepaguá. Daí para a frente, os resultados foram confirmando a possibilidade de aquele jovem rapaz seguir uma promissora carreira de piloto. E, assim, Raul Boesel pôde sonhar mais alto.
 |
Depois de um período competindo no Exterior em diversas categorias, como Formula Indy, IRL e campeonato mundial de protótipos (abaixo), Boesel voltou para o Brasil justamente para a Stock Car, categoria que lhe serviu de escola em 1979. No alto, o Opala da primeira temporada da Stock e, ao seu lado, o modelo de 2001 |
No fim do campeonato de 1979, ele já se preparava para correr de Fórmula Ford na Inglaterra. "A última corrida do campeonato de 1979, em Interlagos, era a abertura do Grande Prêmio de Fórmula 1.
De dentro do cockpit, vi Bernie Ecclestone (chefe comercial da F1), e cheguei a pensar em um dia correr de Fórmula 1", relembra.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |
|