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Julho/2008
     
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Edição 304
 
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Túnel do TEMPO
TEXTO Jorge Meditsch

FOTOS CLÁUDIO LARANGEIRA

Quem acha que já viu tudo em matéria de carros antigos no Brasil sempre tem uma surpresa quando chega a Araxá. O Brazil Classics Show reúne a nata dos carros históricos brasileiros. Carro vencedor em Araxá tem sempre padrão internacional, e o deste ano não foi diferente: um Daimler 1939, capaz de chamar tanta atenção aqui quanto em qualquer evento europeu ou norte-americano. O Straight Eight Sedanca deVille é um exemplar único, com laterais em palha trançada. Sem levar o prêmio maior e precisando de uma restauração cuidadosa, um fantástico Isotta Fraschini 1927 talvez tenha sido o que mais chamou a atenção. O sedã duas portas com carroceria feita pela casa italiana Sala faz parte da estirpe que coleciona troféus em Pebble Beach, nos EUA, ou Villa d'Este, na Itália. Não bastasse isso, tem um "pedigree" adicional: foi o veículo de uso pessoal de João Ribeiro de Barros, o aviador pioneiro que atravessou o Atlântico Sul em 1927.

O tema deste ano eram os esportivos italianos e duas alas foram dedicadas às Alfa, Lamborghini, De Tomaso, Maserati e, é claro, Ferrari. Mas Araxá não é território exclusivamente estrangeiro e, este ano, teve uma rara reunião de 25 Simca, comemorando os 50 anos da implantação da marca no Brasil. Os modelos iam dos primeiros Chambord "três andorinhas" ao Esplanada, com destaque para o GTX e o carro do inspetor Carlos, do seriado Vigilante Rodoviário. Ainda entre os nacionais, dois carros fizeram pulsar mais forte o coração de quem ama o automobilismo. O primeiro foi o Bino MK1 amarelo da Equipe Willys, o outro, um DKW Malzoni: dois protagonistas de disputas memoráveis na década de 60. Serviram de escola para brasileiros que, em seguida, partiram para a Europa e ganharam fama internacional. Nomes? Emerson e Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace, para ficar apenas na Fórmula 1. Tantos destaques chegam a ofuscar o que, em outros encontros, seriam sensações. Uma ala inteira, com dez Rolls-Royces Corniche, parecia até discreta ante o brilho que a circundava. Coisas de Araxá - um encontro que, por aqui, não tem nenhum similar.

FOTOS CLÁUDIO LARANGEIRA
Um Daimler Sedanca Deville 1939, eleito o melhor carro da exposição. Abaixo, um Rolls-Royce Silver Wraith 1954, um Studebaker Sedan 1931 amarelo e algumas peças raras negociadas entre os colecionadores. A ala das Ferrari e três modelos da marca inglesa Packard

 

 

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