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Variedade
Treino ou diversão? Videogames cada vez mais realistas ajudam pilotos profissionais a melhorar seu desempenho nas pistas
TEXTO FLÁVIO R. SILVEIRA FOTOS DANIEL WAINSTEIN
Quando Lewis Hamilton venceu o GP do Canadá de ponta a ponta, depois de conquistar a pole position, surpreendeu muita gente por nunca ter pilotado naquela pista e ter se saído tão bem.
Logo veio a explicação: Hamilton havia dado mais de mil voltas no circuito e, por isso, conhecia tão bem o traçado de Montreal. E o mais interessante é que todo esse treino foi feito sem gastar um milímetro de pneu e nenhum litro de combustível.
Todo o trabalho foi feito no simulador da McLaren, uma máquina que "imita" um F 1. O traçado das pistas, as reações do carro, tudo é reproduzido perfeitamente - inclusive os efeitos físicos das acelerações e da força G no corpo do piloto. O Parceiro de Hamilton, Fernando Alonso, também usou o simulador. "Comparado ao nosso simulador, o da Renault (sua antiga equipe) parece um PlayStation!", brincou Alonso.
Isso não significa que um videogame comum não possa ajudar os pilotos. Felipe Massa, piloto da Ferrari, assume que no começo de sua carreira usou games para conhecer melhor as pistas (veja box). Por isso, MOTOR SHOW reuniu dois pilotos profissionais da Stock Car, Thiago Marques e Giuliano Lossaco, para dar algumas voltas de F1 em um dos mais avançados consoles do mundo, o PlayStation3. O jogo escolhido foi o "Formula One Championship Edition", um simulador de F1.
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"A dirigibilidade é outra, mas o traçado é idêntico" Thiago Marques
"Não dá a sensação de um F1, porque te deixa abusar muito" Giuliano Lossaco |
"Comecei a correr com 21 anos na Stock Light e o fato de jogar me ajudou muito no começo", confessa Marques. No ano passado, ele fez um teste para a FIA GT. "Corri no circuito em um jogo de moto e, sem dúvida, isso me ajudou muito".
Lossaco não é um grande fã de games, mas reconhece que ajudam. "Quando o piloto não conhece a pista, ajuda muito. Villeneuve fez pole em sua primeira corrida por isso". Quanto à vitória de Hamilton, diz que "ele não chegou cru, conhecia o traçado e isso o favoreceu".
É hora dos pilotos sentarem no cockpit (ou melhor, no sofá). Os pneus estão frios (o que é indicado pela cor azul no canto da tela) e os jogadores também. Algumas voltas depois, eles se adaptam aos controles e começam a gostar da brincadeira.
"O traçado da pista é igualzinho!", se surpreende Lossaco. Na segunda volta, em 21o lugar, ele se defende: "Dá um crédito. Nunca andei de F1 na vida!" E logo começa a ultrapassar os adversários.
Marques também elogia o realismo do jogo, e se impressiona com as marcas de freadas e as subidas e descidas de Interlagos que, no game, segundo ele, são bem reais. "Na F1 você freia bem mais em cima, isso é bem diferente da Stock", comenta depois de quase estacionar em uma tomada de curva.
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| O jogador pode escolher a visão de dentro ou de fora do cockpit. O realismo será o mesmo, conforme comprovaram os pilotos |
Depois de várias voltas, a conclusão dos dois é parecida. "A dirigibilidade é outra, mas o traçado e a pista são idênticos. Dá uma ótima noção das subidas e descidas e o efeito no carro", avalia Marques. "Mas no videogame você pode bater à vontade, o carro não custa milhões, e você não se machuca de verdade".
Para Lossaco, o game "não dá a sensação de um F1, porque te deixa abusar muito". Ele acha que ao sair da pista e invadir o gramado, por exemplo, o carro real ficaria mais descontrolado que no jogo. "Ele ajuda a conhecer a pista e o quanto o carro anda, onde frear, tudo isso é muito real", completa.
Questionados se comprariam um PlayStation 3 caso fossem para a F1, eles respondem rápido: "Na hora! Muitas pistas eu não conheço e na F1 você tem que treinar muito", explica Lossaco. Marques concorda: "Claro, na hora, perto dos valores que se gasta na Fórmula 1, esse videogame é praticamente de graça". |
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