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CAPA
| FIAT PALIO
Mudança arriscada?
Arriscada ou
não, o fato é que toda vez que a Fiat mexe no
Palio, suas vendas aumentam. Seria o caso, novamente?
TEXTO: RICARDO DILSER
O Palio mudou. E não foi pouco. Desde seu lançamento
em 1996, este rejuvenescimento foi o mais profundo. Em resumo,
do antigo modelo sobraram a mecânica, o teto e o pára-brisas.
O resto, tudo é novo; das portas às rodas, da
dianteira ao interior. Nunca, nestes 11 anos de vida, as modificações
visaram tantas partes do carro. O mais curioso disso tudo
é que a maior modificação da história
tenha acontecido exatamente no momento de maior sucesso. Ano
passado, quase 170 mil Palio foram vendidos aqui, e sua curva
de vendas estava na ascendente. Contrariando a regra de que
em time que está ganhando não se mexe, a Fiat
mexeu. E muito!
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AS
MUDANÇAS
As grandes mudanças não se limitam ao
exterior. Por dentro, o novo Pálio também
é outro, dos assentos à logotipia do painel.
Ele está mais arrojado e esportivo, segundo a
Fiat. |
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Olhando o novo Palio (já modelo 2008, assim como a
Ford fez com o Fiesta), fica difícil remetê-lo
ao modelo antigo, que continua em produção,
na versão Fire 1.0 de entrada. E aqui cabe lembrar
a ousadia da Fiat. Normalmente, quando um modelo de sucesso
como o Palio passa por modificações, sempre
fica a interrogação da aceitação
do público, por mais clínicas e pesquisas em
que os técnicos possam se basear.
Quando se mexe no estilo de um automóvel, e no caso
de uma mudança profunda como essa, a expectativa é
grande, até porque a percepção do feio
ou bonito é extremamente subjetiva. Diferente de uma
alteração mecânica que é boa ou
ruim, melhor ou pior, bastando para isso ver os números.
Aqui mesmo na Revista, o estilo do novo Palio gerou polêmica:
uns amaram, outros odiaram. Lembrando que o design é
um dos primeiros fatores decisivos da compra (ou não)
de um automóvel, voltamos à expectativa da aceitação.
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NOVO
PAINEL
No painel do ELX (1.0 e 1.4), novo quadro de instrumentos,
com direito a marcador de combustível digital,
rucurso curiosamente abandonado no rival Fiesta. |
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Mecanicamente idêntico ao anterior, o Palio 2008 mantém
o mesmo bom e conhecido “drive”. Se inclina demais
nas curvas acentuadas, mas é confortável e relativamente
estável nas demais condições. Acelera
bem (principalmente o 1.8R) e não é beberrão.
Por dentro, tudo foi revisto, do painel ao console central,
passando pelas laterais de portas, quadro de instrumentos
e padronagem dos bancos.
Menos polêmica que a mexida externa, o interior do
modelo 2008 agrada a gregos e troianos. No painel, as versões
ELX 1.0 e 1.4 ganharam novos instrumentos (com direito a marcador
de combustível digital), enquanto o esportivo 1.8R
mantém o mesmo layout de instrumentos do anterior,
só que com nova grafia, como se vê nas fotos.
Por falar em esportivo, dentre todas as novidades do Palio
2008, a que mais chama atenção é a oferta
da versão 1.8R também com duas portas, como
esta que ilustra a reportagem. Aos olhares desatentos, parece
outro carro. Talvez pela frente talhada pela imponente grade
dianteira (que o deixa próximo ao Grande Punto), pela
traseira encorpada ou apenas pelo fato de ter duas portas,
o Palio 1.8R é, sim, um novo carro.
Novo, mas com a mesma performance, já que toda sua
parte mecânica não foi alterada. Sendo assim,
ele continua com o desempenho do anterior, acelerando até
100 km/h em 9,2 segundos e chegando a máxima de 191
km/h (com álcool). Agora ele se torna, ao lado do 1.8R
de quatro portas, o modelo top da linha hatch, já que
o Palio HLX 1.8 deixa de ser ofertado. Oferta, vale frisar,
é um dos adjetivos do Palio 2008. Ele oferece mais
itens de série que o anterior, como os faróis
de milha em todas as versões, assim como o limpador
e o desembaçador do vidro traseiro e o computador de
bordo.
E itens de série “sensíveis ao olho nu”
podem ser decisivos no momento da compra, acredita Lélio
Ramos, diretor de vendas da Fiat: “Temos um carro novo
e mais completo. O sucesso do novo Palio é certo”,
acredita o executivo. E talvez seja mesmo. Olhando o histórico
do Palio, vimos que quando o mercado reagia e comprava mais
o carro, a Fiat tratava de modificá-lo, tornando o
recém chegado desejo de grande parcela dos clientes.
E se novidade “vende” carros, o Palio está
bem servido, já que tudo nele é novidade. Mas
a resposta é do mercado, agente supremo e indefectível.
As versões 2008 do Palio passam a ser Fire 1.0 (carroceria
antiga), ELX 1.0 e 1.4 e 1.8R, duas ou quatro portas. Siena
e Palio Weekend, promete a Fiat, não mudam este ano.
PALIO FIRE
CONTINUA "VELHO"
Lembrando que mais da metade dos Palios vendidos são
modelos de entrada, como o Fire 1.0 (foto) - que não
muda por enquanto -, a estratégia da Fiat fica mais
clara: muda-se por completo os modelos mais caros, criando
a expectativa e o desejo de compra em todos os clientes da
família, do popular ao esportivo. E, pelo que a Fiat
já viveu em outras experiência com o Palio, é
só mudar seu visual para manter as vendas aquecidas.
De qualquer meneira, a montadora mantém o Fire 1.0
em produção, com carroceria antiga. Até
o fechamento desta edição (e portanto anterior
ao lançamento oficial do carro), não se falou
em valores, e sim apenas que o Palio ganhou em conteúdo.
Mesmo sobre dúvidas, vale lembrar que a Fiat sabe vender
carros no Brasil. Ou melhor, é a que mais vende carros
no Brasil atualmente.
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