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Março 2007
     
VERSÂO 1.8R
A gora é oferecida também com duas portas, o que lhe confere um visual único
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CAPA | FIAT PALIO
Mudança arriscada?

Arriscada ou não, o fato é que toda vez que a Fiat mexe no Palio, suas vendas aumentam. Seria o caso, novamente?



TEXTO: RICARDO DILSER

O Palio mudou. E não foi pouco. Desde seu lançamento em 1996, este rejuvenescimento foi o mais profundo. Em resumo, do antigo modelo sobraram a mecânica, o teto e o pára-brisas. O resto, tudo é novo; das portas às rodas, da dianteira ao interior. Nunca, nestes 11 anos de vida, as modificações visaram tantas partes do carro. O mais curioso disso tudo é que a maior modificação da história tenha acontecido exatamente no momento de maior sucesso. Ano passado, quase 170 mil Palio foram vendidos aqui, e sua curva de vendas estava na ascendente. Contrariando a regra de que em time que está ganhando não se mexe, a Fiat mexeu. E muito!

AS MUDANÇAS
As grandes mudanças não se limitam ao exterior. Por dentro, o novo Pálio também é outro, dos assentos à logotipia do painel. Ele está mais arrojado e esportivo, segundo a Fiat.

Olhando o novo Palio (já modelo 2008, assim como a Ford fez com o Fiesta), fica difícil remetê-lo ao modelo antigo, que continua em produção, na versão Fire 1.0 de entrada. E aqui cabe lembrar a ousadia da Fiat. Normalmente, quando um modelo de sucesso como o Palio passa por modificações, sempre fica a interrogação da aceitação do público, por mais clínicas e pesquisas em que os técnicos possam se basear.

Quando se mexe no estilo de um automóvel, e no caso de uma mudança profunda como essa, a expectativa é grande, até porque a percepção do feio ou bonito é extremamente subjetiva. Diferente de uma alteração mecânica que é boa ou ruim, melhor ou pior, bastando para isso ver os números. Aqui mesmo na Revista, o estilo do novo Palio gerou polêmica: uns amaram, outros odiaram. Lembrando que o design é um dos primeiros fatores decisivos da compra (ou não) de um automóvel, voltamos à expectativa da aceitação.

NOVO PAINEL
No painel do ELX (1.0 e 1.4), novo quadro de instrumentos, com direito a marcador de combustível digital, rucurso curiosamente abandonado no rival Fiesta.

Mecanicamente idêntico ao anterior, o Palio 2008 mantém o mesmo bom e conhecido “drive”. Se inclina demais nas curvas acentuadas, mas é confortável e relativamente estável nas demais condições. Acelera bem (principalmente o 1.8R) e não é beberrão. Por dentro, tudo foi revisto, do painel ao console central, passando pelas laterais de portas, quadro de instrumentos e padronagem dos bancos.

Menos polêmica que a mexida externa, o interior do modelo 2008 agrada a gregos e troianos. No painel, as versões ELX 1.0 e 1.4 ganharam novos instrumentos (com direito a marcador de combustível digital), enquanto o esportivo 1.8R mantém o mesmo layout de instrumentos do anterior, só que com nova grafia, como se vê nas fotos.

Por falar em esportivo, dentre todas as novidades do Palio 2008, a que mais chama atenção é a oferta da versão 1.8R também com duas portas, como esta que ilustra a reportagem. Aos olhares desatentos, parece outro carro. Talvez pela frente talhada pela imponente grade dianteira (que o deixa próximo ao Grande Punto), pela traseira encorpada ou apenas pelo fato de ter duas portas, o Palio 1.8R é, sim, um novo carro.

Novo, mas com a mesma performance, já que toda sua parte mecânica não foi alterada. Sendo assim, ele continua com o desempenho do anterior, acelerando até 100 km/h em 9,2 segundos e chegando a máxima de 191 km/h (com álcool). Agora ele se torna, ao lado do 1.8R de quatro portas, o modelo top da linha hatch, já que o Palio HLX 1.8 deixa de ser ofertado. Oferta, vale frisar, é um dos adjetivos do Palio 2008. Ele oferece mais itens de série que o anterior, como os faróis de milha em todas as versões, assim como o limpador e o desembaçador do vidro traseiro e o computador de bordo.

E itens de série “sensíveis ao olho nu” podem ser decisivos no momento da compra, acredita Lélio Ramos, diretor de vendas da Fiat: “Temos um carro novo e mais completo. O sucesso do novo Palio é certo”, acredita o executivo. E talvez seja mesmo. Olhando o histórico do Palio, vimos que quando o mercado reagia e comprava mais o carro, a Fiat tratava de modificá-lo, tornando o recém chegado desejo de grande parcela dos clientes. E se novidade “vende” carros, o Palio está bem servido, já que tudo nele é novidade. Mas a resposta é do mercado, agente supremo e indefectível. As versões 2008 do Palio passam a ser Fire 1.0 (carroceria antiga), ELX 1.0 e 1.4 e 1.8R, duas ou quatro portas. Siena e Palio Weekend, promete a Fiat, não mudam este ano.

PALIO FIRE
CONTINUA "VELHO"

Lembrando que mais da metade dos Palios vendidos são modelos de entrada, como o Fire 1.0 (foto) - que não muda por enquanto -, a estratégia da Fiat fica mais clara: muda-se por completo os modelos mais caros, criando a expectativa e o desejo de compra em todos os clientes da família, do popular ao esportivo. E, pelo que a Fiat já viveu em outras experiência com o Palio, é só mudar seu visual para manter as vendas aquecidas. De qualquer meneira, a montadora mantém o Fire 1.0 em produção, com carroceria antiga. Até o fechamento desta edição (e portanto anterior ao lançamento oficial do carro), não se falou em valores, e sim apenas que o Palio ganhou em conteúdo. Mesmo sobre dúvidas, vale lembrar que a Fiat sabe vender carros no Brasil. Ou melhor, é a que mais vende carros no Brasil atualmente.


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Edição 288


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