|CAPA ATUAL|ÍNDICE REVISTA | ANTERIORES Com artigos da revista italiana Quattroruote 
Outubro 2006
     
O DESEMPENHO
NA PISTA

Velocidade Máxima:
193,393 km/h
Rotação (vel. máx.)
4.950 rpm
Consumo:
10,4km/l a 130km/h
Aceleração (km/h):
0-100 em 11,5 segundos

Retomada (km/h):
70-80 em 5,5 segundos

Frenagem (m):
100 em 44,1 metros

• Veja os dados completos
na edição impressa
 
SEÇÕES
• Motor Contato
• Motor News
• Motor Curiosidade
• Motor Teste
• Motor Dia-a-Dia
• Motor Negócio
• Motor História
• Motor Sport

 


CAPA - MERCADO
Você compra chinês?

Eles são vendidos no mundo inteiro a preços bem atraentes. Mas será que valem a pena? Testamos três ofertas

EDIÇÃO: ANA FLÁVIA FURLAN

 

Atraídas por impostos baixos e mão-de-obra barata, empresas de todo o mundo se instalaram na China. Com a indústria automobilística não foi diferente. De autopeças a carros inteiros quase tudo já é montado naquele país. Com o tempo, o inevitável aconteceu. Os chineses perceberam que já tinham know how suficiente para produzir seus próprios produtos a preços competitivos.

A Europa começa a “perceber” o tamanho do problema que isso pode significar. Que os chineses têm preço bom é indiscutível. Mas e a qualidade? É o que atualmente perguntam os consumidores do velho continente. Para tentar elucidar essa questão, a Revista Quattroruote testou três produtos chineses: um carro, uma scooter e um jogo de pneus. Será que eles já têm condições de assustar os concorrentes?

No Brasil, os chineses venderam cerca de 700 mil pneus no primeiro semestre e, no Salão do Automóvel, a China estará presente junto à SSsangyong, que passa a representar a importação da marca Chana, parceira da Suzuki na Ásia e que pretende apresentar duas minivans por aqui. Certamente, já é hora de conhecermos melhor os tais produtos chineses.

A China está colocando fogo na economia mundial. Exportando para para inúmeros países a preços para lá de competitivos, ela vem ganhando cada vez mais espaço no mercado global. E a Europa não escapa da febre asiática. Na Itália, por exemplo, os chineses vendem de tudo; de tomate a Ipod. Já dá para imaginar que, de uma hora para outra, os italianos estarão comprando também carros do país emergente que mais se desenvolve no mundo.

O INTERIOR
Dentro do habitáculo "luxuoso",, desalinhamentos e plásticos rígidos.

Um deles é o Zhonghua, que você vê nestas páginas. Um automóvel do porte do Passat, com motor 2.0 de 129 cv, que alcança 190 km/h e acelera de zero a 100 km/h em 13,8 segundos. Originalmente destinado aos executivos chineses, o Zhonghua tem o design da carroceria elaborado pela Italdesign nove anos atrás. Segundo os dirigentes da Brilliance (o grupo chinês que controla a marca Zhonghua) o modelo deve estrear no exigente mercado europeu em breve. O feliz trabalho do mago Giugiaro resiste ao tempo (ajudado por uma recente reestilização do estúdio Pininfarina) e o habitáculo parece luxuoso, mas um exame mais profundo faz transparecer o quanto seu projeto é obsoleto. Olhado mais de perto, o acabamento revela desalinhamentos, plásticos rígidos, jogos no painel e um console central sombrio.

É evidente a falta de qualquer aparato de segurança passiva e de rigidez torcional. As longarinas mostram-se ineficientes. Falta rigidez, falta continuidade, falta capacidade de absorver a maioria dos impactos. Os revestimentos acústicos são insuficientes e não isolam a repercussão dos barulhos de suspensão e motor.

A suspensão é sofisticada mas os quadriláteros são altos na frente e há muito jogo na parte de baixo. As ligações da suspensão também não são boas, há muitas fixações e muitas chapas sobrepostas, comprometendo a rigidez. Em suma, a segurança é um quesito que precisa melhorar nos modelos chineses. Um outro carro de mesma origem, o Jiangling Landwind, que deveria ser o primeiro 4x4 chinês no mercado italiano, escorregou no crash test: saiu desastrosamente de uma prova de impacto do Adac, clube automobilístico alemão. Depois desse incidente, seu lançamento foi adiado.

Mas voltemos ao Zhonghua. Seu catalisador é pequeno e muito distante das válvulas de escape. Os semi-eixos têm comprimento diferente, sem ligação intermediária. Um automóvel assim, definitivamente, não pode ser vendido na Europa. E de fato não o será em breve, apesar do que anuncia a fábrica, que apresentou uma versão atualizada desse modelo no Salão de Frankfurt de 2005: “esse carro custará, na Europa, a metade de uma BMW ou de uma Mercedes”, prometeram os executivos na época. Cerca de 18 a 20 mil euros, era a hipótese inicial. Mas, ainda assim, o Zhonghua, por hora, não preocupa nenhum fabricante europeu.

A bordo, a posição de dirigir é bastante boa, centrada, mas um tanto penalizada pela inclinação lateral do volante e pelos comandos pouco racionais. O desempenho é apenas suficiente e a dirigibilidade recorda os carros dos anos 80. Nas velocidades mais altas, o modelo mostra uma tendência clara à saída de frente, com uma entrada lenta nas curvas e uma resposta de esterço em dois tempos. Por outro lado, o comportamento traseiro é bom, com saída progressiva e fácil de controlar. No teste de estabilidade, o sedã se mostrou fácil de domar, apesar do volante muito desmultiplicado, da saída de frente e das respostas lentas. Os freios decepcionam em progressividade, em modularidade e, principalmente, no espaço de arrasto. Inaceitável.

Linglong LM A2

Brilliance Zhonghua
CF Moto Urban R

45% mais barato que um Michelin equivalente

O modelo LM A2 da marca Linglong custa quase a metade de um pneu semelhante de uma marca tradicional e garante boa aderência com um leve incremento no consumo de combustível. Para que precisa economizar pode valer a pena, mas é bom salientar que não fizemos teste de longa duração. se sua vida útil for muito baixa pode não compensar.

32% mais barato que um VW Passat

Melhor esperar. É verdade que, em preço, o Zhonghua não tem rivais: custa 32% menos do que um Passat, por exemplo. Mas as máquinas são incomparáveis, principalmente se considerarmos que os concorrentes europeus, americanos, japoneses e coreanos atendem à norma Euro4 e têm, pelo menos, quatro estrelas no crash tes da EuroNCap.

39% mais barata que uma Honda SH 150

Se você fechar um olho para o desempenho, sim. Verificando a oferta das outras empresas nota-se que os modelos entre 150-200 cm³ têm preço, em média, € 1.000 superior ao dela. Mesmo os concorrentes chineses de marcas como Kymco e Sym têm preços mais altos e menor quantidade de equipamentos. Resta alguma dúvida sobre seu valor no mercado de usados. Mas o importador garante assistência técnica, o que fá é uma tranqüilidade.

O pequeno chinês objeto desta segunda prova tem inspiração, se assim podemos dizer. no design da Yamaha Why. A referência estética da Urban R é também retrô, com assento em bege e abundância de cromados.

Essa scooter apresenta falhas escandalosas ou muita ingenuidade por parte dos projetistas. Explica-se: ao mesmo tempo em que eles utilizaram materiais que seriam adequados apenas aos modelos de entrada da categoria e optaram por um acabamento discretamente refinado (apesar das soldas e fusões estarem à altura dos concorrentes italianos), eles adotaram na scooter um rico pacote de equipamentos de série, que não se justifica em um projeto tão simples.

Nos 1.900 euros pedidos nas concessionárias, está incluso, por exemplo, um bauzinho (que incorpora um apoio para as costas) excelente para acomodar pequenos objetos, minimizando o fato de que o espaço embaixo do banco é suficiente apenas para carregar documentos. Ainda de série, a Urban oferece sistema antifurto com alarme acústico, com a vantagem de poder ser acionado a distância e, assim, ligar a scooter sem que a chave seja inserida no quadro.

No desempenho, as impressões sobre a Urban R não são boas. Apesar de ser refrigerado a água e de dispor de quatro válvulas, o motor monocilíndrico de 153 cm3 não entusiasma no desempenho: sua velocidade é inferior a 100 km/h, pouco para um veículo que apesar de urbano deve, em tese, ser adequado a percorrer pequenos trechos de estrada. O sistema de freios conta com dois discos (dianteiro e traseiro) com pinças flutuantes.

A potência agrada, mas a modularidade não é das melhores, já que o traseiro tende ao bloqueio. Ou seja, falta algo para que ela agrade aos europeus.


ASSINE JÁ!
Edição 287


OUTROS SITES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


   
© Copyright 1996-2006 Editora Três