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CAPA
- FOX GTI 2.0
Fox GTI 2.0
Motor 2.0, rodas mais largas, spoiler e pneus mais baixos?
Uma versão esportiva do Fox pode ser a arma da VW para
incrementar (ainda mais) as vendas do hatch
Texto: Douglas Mendonça
Fotos: Divulgação
Que o brasileiro de uma maneira geral é fanático
por carro todo mundo sabe. E uma coisa leva a outra. Todos
sabemos que a expressão máxima de um automóvel
é sua versão esportiva. Ninguém duvida!
Por mais bonito, funcional e ecologicamente correto que seja
um carro, nele sempre sobra lugar para uma roda personalizada,
um farol auxiliar, um pára-choque mais envolvente,
uma ponteira de escapamento mais incrementada, uma cor de
vidro mais marcante, uma instrumentação de painel
mais chamativa, bancos mais esportivos e por aí vai.
Com essa receita estamos formalizando um carro esportivo.
Basta ver o quanto o mercado de acessórios movimenta
e o sucesso dos eventos e salões de tuning para concluir
que há lugar em toda a linha de produtos para uma versão,
digamos assim, mais apimentada.
Veja a retrospectiva do mercado brasileiro: Corcel GT, Volkswagen
1600S (o famoso Super-Fuscão), Opala SS, Maverick GT,
Passat TS, Uno 1.5R etc. Modelos dos anos 70 e meados dos
anos 80 que marcaram época e deram mais força
a sua linha de produtos normais. Nos anos 70 o cliente chegava
à concessionária pensando e sonhando com um
Corcel GT e saía de lá com um comportado Corcel
1.4 familiar. Via em outdoors o valente Bezourão (o
outro nome pelo qual ficou conhecido o Fusca 1600S) e acabava
comprando mesmo o Fusquinha 1300. Sonhava com a esportividade
do Opala SS e seu motor 250-S, corria para a revenda para
comprar... um Opala quatro cilindros. Mas o que importa é
o sonho. O sonho do carro colorido, de rodas chamativas e
bancos de cores berrantes. Talvez esse esportivo seja o estímulo
para ele comprar a versão pacata mais barata que um
dia, quem sabe, pode se transformar naquele esportivo do sonho.
Nem que seja equipando-o.
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| Fox
Pepper: Apresentado como uma sugestão
do design, o Fox Pepper poderia se transformar no próximo
esportivo nacional. Não seria um modelo de volume,
claro, mas incrementaria as vendas do Fox. |
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A marca que mais se utilizou desse artifício de marketing
para empurrar suas vendas de grande volume foi a Volkswagen
(veja box). Em sua linha sempre existiu uma versão
mais potente, mais sofisticada em termos de acabamento (bancos
Recaro, som etc.) para ilustrar os out-doors, criando no consumidor
uma sensação de que "esse carro é
lindo mesmo, vou me esforçar para comprar um..."
(lembre-se: brasileiro se vê atraído por versões
esportivas e sempre sonha em ter um ou, na pior das hipóteses,
ter como meta incrementar seu modelo básico). Como
normalmente essas verssões esportivas são muito
mais caras que o restante da linha, o consumidor acaba sonhando
com o esportivo, mas seu dinheiro é mais realista e
compra a versão básica. É um recurso
para se incrementar as vendas.
Ultimamente a Volkswagen está mais tímida quando
o recurso é versão esportiva. Para quem já
teve esportivos memoráveis como Passat TS, Gol GTI,
Gol GTI 16V, todos de muita raça e com desempenho de
tirar o chapéu em cada uma de suas épocas, atualmente
a VW não tem nada expressivo, exceção
feita ao Golf GTI. Com o sucesso incontestável do Fox,
o que a marca espera para lançar o Fox GTI? Na apresentação
do Fox, a fábrica já se adiantou e mostrou a
versão Cross, um grande sucesso de mercado, e uma versão
esportiva chamada de Fox Pepper (pimenta, em inglês).
Claro que o nome GTI tem um apelo muito mais forte pelo que
a própria marca já fez no passado. A configuração
mecânica desse Fox apimentado seria simples: o trem
de força do Polo Sedan 2.0. Pronto, em linha de produção
e com um tremendo resultado prático, uma vez que o
Fox é bem mais leve que o Polo. Com isso, economiza-se
no desenvolvimento do Fox GTI.
O design já está pronto, basta apenas atualizar
o modelo apresentado dois anos atrás. A mecânica
já existe e está em produçãoo.
Bastaria apenas recalibrar o sistema de injeção
eletrônica adequando as diferenças de comportamento
entre um pacato Polo Sedan e um nervoso Fox GTI e emissionar
o carrinho com a nova configuração esportiva.
Talvez um câmbio com escalonamento mais curto para melhorar
ainda mais as respostas do carrinho... Com isso, estaria pronto
o Fox que poderá criar no consumidor ainda mais o desejo
de ter um Fox. Claro que um carro muito mais institucional
do que comercial. Um modelo para dar a imagem do Fox uma versão
ainda mais nervosa e que viria a se somar ao sucesso do CrossFox.
Estão esperando o quê, então? Mãos
à obra e que venha o Fox GTI 2.0.
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| Motor VW 2.0: usado
em Golf, Polo, Beetle e cia. representa uma interessante
opção. Com 116 cv, o desempenho do Fox GTi
seria bem superior ao dos demais integrantes da família. |
Uma Volkswagen esportiva
A Volkswagen do Brasil tem um marcante histórico no
mundo dos carros esportivos. Para os mais saudosos, vale lembrar
do SP2 1.700 (e SP1, raríssimo, com motor 1.6), Fuscão
Besouro (com motor 1.6 e dupla carburação) e
Passat TS. Este œltimo, um caso à parte. Lançado
em 1976, ele trazia motor 1.6 (antes, o Passat tinha propulsor
1.5) com carburador de corpo duplo, comando de vávulas
mais "nervoso" e coletor de escapamento duplo. Tinha
cerca de 10 cv a mais que seus irmãos pacatos (LS e
LSE) e virou ícone nas ruas e nas pistas. Com preparação,
ele era capaz, por exemplo, de ganhar corridas de longa duração,
na frente de Opala seis cilindros e Maverick V8, carros com
pelo menos o dobro de sua potência.
Em todo relançamento ou remodelação,
a expectativa da chegada do Passat esportivo era enorme. Foi
assim em 1979, quando o modelo ganhou novos faróis
e pára-choques e em 1984, ano em que surgiu o primeiro
Passat GTS, substiuindo o TS. Em meados dos anos 80, o famoso
Pointer passou a figurar na lista dos esportivos mais cobiçados
do País. Antes disso, porém, o Passat esportivo
ganhou um rival à altura. E, acreditem, um rival dentro
de sua própria casa. Com o sucesso do Gol, em 1984
a VW surpreende o mercado lançando a versão
GT, com a mesma mecânica usada no Santana, mas ainda
equipado com câmbio de quatro marchas (o câmbio
de cinco marchas viria no ano seguinte, em 1985). Foi um marco
que, dizem os especialistas, ajudou a colocar o Gol na invejada
posição que ele tem hoje. Com o modelo GT, o
Gol abandonaria o velho motor arrefecido a ar para entrar
na era do propulsor "a água". Em 1985, quase
todos os modelos Gol já foram equipados com motor arrefecido
a água (1.6 MD 270 nos S e LS e 1.8 no GT), com exceção
do BX, uma versão básica destinada principalmente
a empresas e taxistas. Em 1987, a onda dos esportivos VW parecia
ganhar o ápice: de uma œnica tacada, o mercado
ganha a versão renovada do GT, que recebeu uma carroceria
remodelada e passou a se chamar GTS (e com uns cavalinhos
a mais no motor, declarados 99 cv) e, em paralelo, a VW preparava
seu maior lançamento, o Gol GTI (que surgiria em outubro
de 1988). Na época, seus rivais atendiam pelo nome
de Escort XR-3, Monza SR e Uno 1.5 R. Dois anos depois, morre
um ícone e surge outro. O Passat Pointer deixa de ser
produzido e, em primeira m‹o, a VW lança o primeiro
carro brasileiro equipado com injeção eletrônica.
E claro, ele era um esportivo.
E que esportivo: nascia o Gol GTI 2.0. Claro que alguns outros
modelos esportivos da VW não marcaram tanto. Talvez
o de menor repercussão tenha sido o Pointer GTI, carro
derivado de uma plataforma Ford (na época da extinta
Autolatina) com mecânica Volkswagen. Mais recente, surge
o primeiro VW capaz de superar os 200 km/h (Gol GTI 2.0 16V)
e, dele, nascem as raríssimas Parati GTi 2.0 16V. Hoje
o mercado é outro e o volume de vendas de um esportivo
talvez não justifique o investimento. De qualquer maneira,
a chegada de um Fox Pepper 2.0 traria, novamente, a magia
dos esportivos da Volks.
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