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Agosto 2006
     
Polo Sedam: Com design praticamente finalizada, a mecânica 2.0 será uma opção para agilizar seu lançamento.
 
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CAPA - FOX GTI 2.0
Fox GTI 2.0

Motor 2.0, rodas mais largas, spoiler e pneus mais baixos? Uma versão esportiva do Fox pode ser a arma da VW para incrementar (ainda mais) as vendas do hatch

Texto: Douglas Mendonça
Fotos: Divulgação

Que o brasileiro de uma maneira geral é fanático por carro todo mundo sabe. E uma coisa leva a outra. Todos sabemos que a expressão máxima de um automóvel é sua versão esportiva. Ninguém duvida! Por mais bonito, funcional e ecologicamente correto que seja um carro, nele sempre sobra lugar para uma roda personalizada, um farol auxiliar, um pára-choque mais envolvente, uma ponteira de escapamento mais incrementada, uma cor de vidro mais marcante, uma instrumentação de painel mais chamativa, bancos mais esportivos e por aí vai. Com essa receita estamos formalizando um carro esportivo. Basta ver o quanto o mercado de acessórios movimenta e o sucesso dos eventos e salões de tuning para concluir que há lugar em toda a linha de produtos para uma versão, digamos assim, mais apimentada.

Veja a retrospectiva do mercado brasileiro: Corcel GT, Volkswagen 1600S (o famoso Super-Fuscão), Opala SS, Maverick GT, Passat TS, Uno 1.5R etc. Modelos dos anos 70 e meados dos anos 80 que marcaram época e deram mais força a sua linha de produtos normais. Nos anos 70 o cliente chegava à concessionária pensando e sonhando com um Corcel GT e saía de lá com um comportado Corcel 1.4 familiar. Via em outdoors o valente Bezourão (o outro nome pelo qual ficou conhecido o Fusca 1600S) e acabava comprando mesmo o Fusquinha 1300. Sonhava com a esportividade do Opala SS e seu motor 250-S, corria para a revenda para comprar... um Opala quatro cilindros. Mas o que importa é o sonho. O sonho do carro colorido, de rodas chamativas e bancos de cores berrantes. Talvez esse esportivo seja o estímulo para ele comprar a versão pacata mais barata que um dia, quem sabe, pode se transformar naquele esportivo do sonho. Nem que seja equipando-o.

Fox Pepper: Apresentado como uma sugestão do design, o Fox Pepper poderia se transformar no próximo esportivo nacional. Não seria um modelo de volume, claro, mas incrementaria as vendas do Fox.

A marca que mais se utilizou desse artifício de marketing para empurrar suas vendas de grande volume foi a Volkswagen (veja box). Em sua linha sempre existiu uma versão mais potente, mais sofisticada em termos de acabamento (bancos Recaro, som etc.) para ilustrar os out-doors, criando no consumidor uma sensação de que "esse carro é lindo mesmo, vou me esforçar para comprar um..." (lembre-se: brasileiro se vê atraído por versões esportivas e sempre sonha em ter um ou, na pior das hipóteses, ter como meta incrementar seu modelo básico). Como normalmente essas verssões esportivas são muito mais caras que o restante da linha, o consumidor acaba sonhando com o esportivo, mas seu dinheiro é mais realista e compra a versão básica. É um recurso para se incrementar as vendas.

Ultimamente a Volkswagen está mais tímida quando o recurso é versão esportiva. Para quem já teve esportivos memoráveis como Passat TS, Gol GTI, Gol GTI 16V, todos de muita raça e com desempenho de tirar o chapéu em cada uma de suas épocas, atualmente a VW não tem nada expressivo, exceção feita ao Golf GTI. Com o sucesso incontestável do Fox, o que a marca espera para lançar o Fox GTI? Na apresentação do Fox, a fábrica já se adiantou e mostrou a versão Cross, um grande sucesso de mercado, e uma versão esportiva chamada de Fox Pepper (pimenta, em inglês). Claro que o nome GTI tem um apelo muito mais forte pelo que a própria marca já fez no passado. A configuração mecânica desse Fox apimentado seria simples: o trem de força do Polo Sedan 2.0. Pronto, em linha de produção e com um tremendo resultado prático, uma vez que o Fox é bem mais leve que o Polo. Com isso, economiza-se no desenvolvimento do Fox GTI.

O design já está pronto, basta apenas atualizar o modelo apresentado dois anos atrás. A mecânica já existe e está em produçãoo. Bastaria apenas recalibrar o sistema de injeção eletrônica adequando as diferenças de comportamento entre um pacato Polo Sedan e um nervoso Fox GTI e emissionar o carrinho com a nova configuração esportiva. Talvez um câmbio com escalonamento mais curto para melhorar ainda mais as respostas do carrinho... Com isso, estaria pronto o Fox que poderá criar no consumidor ainda mais o desejo de ter um Fox. Claro que um carro muito mais institucional do que comercial. Um modelo para dar a imagem do Fox uma versão ainda mais nervosa e que viria a se somar ao sucesso do CrossFox. Estão esperando o quê, então? Mãos à obra e que venha o Fox GTI 2.0.

Motor VW 2.0: usado em Golf, Polo, Beetle e cia. representa uma interessante opção. Com 116 cv, o desempenho do Fox GTi seria bem superior ao dos demais integrantes da família.


Uma Volkswagen esportiva

A Volkswagen do Brasil tem um marcante histórico no mundo dos carros esportivos. Para os mais saudosos, vale lembrar do SP2 1.700 (e SP1, raríssimo, com motor 1.6), Fuscão Besouro (com motor 1.6 e dupla carburação) e Passat TS. Este œltimo, um caso à parte. Lançado em 1976, ele trazia motor 1.6 (antes, o Passat tinha propulsor 1.5) com carburador de corpo duplo, comando de vávulas mais "nervoso" e coletor de escapamento duplo. Tinha cerca de 10 cv a mais que seus irmãos pacatos (LS e LSE) e virou ícone nas ruas e nas pistas. Com preparação, ele era capaz, por exemplo, de ganhar corridas de longa duração, na frente de Opala seis cilindros e Maverick V8, carros com pelo menos o dobro de sua potência.

Em todo relançamento ou remodelação, a expectativa da chegada do Passat esportivo era enorme. Foi assim em 1979, quando o modelo ganhou novos faróis e pára-choques e em 1984, ano em que surgiu o primeiro Passat GTS, substiuindo o TS. Em meados dos anos 80, o famoso Pointer passou a figurar na lista dos esportivos mais cobiçados do País. Antes disso, porém, o Passat esportivo ganhou um rival à altura. E, acreditem, um rival dentro de sua própria casa. Com o sucesso do Gol, em 1984 a VW surpreende o mercado lançando a versão GT, com a mesma mecânica usada no Santana, mas ainda equipado com câmbio de quatro marchas (o câmbio de cinco marchas viria no ano seguinte, em 1985). Foi um marco que, dizem os especialistas, ajudou a colocar o Gol na invejada posição que ele tem hoje. Com o modelo GT, o Gol abandonaria o velho motor arrefecido a ar para entrar na era do propulsor "a água". Em 1985, quase todos os modelos Gol já foram equipados com motor arrefecido a água (1.6 MD 270 nos S e LS e 1.8 no GT), com exceção do BX, uma versão básica destinada principalmente a empresas e taxistas. Em 1987, a onda dos esportivos VW parecia ganhar o ápice: de uma œnica tacada, o mercado ganha a versão renovada do GT, que recebeu uma carroceria remodelada e passou a se chamar GTS (e com uns cavalinhos a mais no motor, declarados 99 cv) e, em paralelo, a VW preparava seu maior lançamento, o Gol GTI (que surgiria em outubro de 1988). Na época, seus rivais atendiam pelo nome de Escort XR-3, Monza SR e Uno 1.5 R. Dois anos depois, morre um ícone e surge outro. O Passat Pointer deixa de ser produzido e, em primeira m‹o, a VW lança o primeiro carro brasileiro equipado com injeção eletrônica. E claro, ele era um esportivo.

E que esportivo: nascia o Gol GTI 2.0. Claro que alguns outros modelos esportivos da VW não marcaram tanto. Talvez o de menor repercussão tenha sido o Pointer GTI, carro derivado de uma plataforma Ford (na época da extinta Autolatina) com mecânica Volkswagen. Mais recente, surge o primeiro VW capaz de superar os 200 km/h (Gol GTI 2.0 16V) e, dele, nascem as raríssimas Parati GTi 2.0 16V. Hoje o mercado é outro e o volume de vendas de um esportivo talvez não justifique o investimento. De qualquer maneira, a chegada de um Fox Pepper 2.0 traria, novamente, a magia dos esportivos da Volks.

 


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Edição 281


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